30 de set. de 2010

Barba e bigode

Correm os dias, corre a noite, corre o menino. Corre de peito aberto enfrentando o açoite do vento que arrebenta em seu rosto. Corre com gosto, pois sabe que seu destino é certo e fica mais perto a cada novo amanhã. Ele pula, grita, sorri se sacode, enfim faz tudo o que pode, pois sabe que um dia vai despertar e ao se olhar no espelho vai estar de barba e bigode. Ai não tem mais jeito, tudo o que era belo e perfeito ficou para trás, foi só uma fase da vida que não volta mais. Agora que ele já é um homem feito essa época de acumular virtudes vai ficar guardada em algum canto da mente totalmente esquecida. Agora ele é um adulto. Perdeu a inocência, chamá-lo de criança é insulto, agora que tem barba e bigode vai conhecer o pecado, vai aprimorar o defeito comum á todo aquele que deixa de ser um garoto e vira homem. Vai se achar um super herói, aquele que se machuca e diz que não dói, fica triste, mas não chora quando a mulher vai embora. O sujeito esperto e maroto que fala através de um arroto e faz qualquer coisa na hora que bem entende, pois se acha o dono do mundo, pois no fundo ele pensa:.. agora que tenho barba e bigode sou um homem feito, e batendo com os punhos fechados no seu próprio peito diz:.. comigo ninguém pode.

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